Nossa história começou de forma inesperada, em um tweet despretensioso em 2019 no app que hoje se chama "X".
Foi entre comentários sobre "puxar assunto com uma mina", arroz com farofa e preferências por pipoca e pizza que tudo começou. Talvez já fosse um sinal de que comida sempre teria um lugar especial na nossa história, inclusive no nome das nossas gatas, Pipoca e Lasanha. Enfim, melhor mostrar do que explicar:
O que parecia apenas mais uma interação casual acabou se tornando o início de algo que mudaria nossas vidas.
Entre mensagens, descobertas em comum e encontros que aconteceram naturalmente, percebemos que havia ali mais do que coincidência. O que começou leve foi ganhando profundidade, um encontro virou dois, que virou três e logo entendemos que não se tratava apenas de afinidade, mas de parceria e amor.
Desde então, construímos um caminho feito de cuidado, aprendizado e escolhas diárias. Vivemos momentos de alegria e também enfrentamos desafios que nos ensinaram sobre presença, apoio e permanência. Foi nesse processo que compreendemos que amar é, antes de tudo, decidir ficar.
Durante anos, mesmo morando juntos e sendo frequentemente chamados de “casados”, eu sempre respondia, em tom de brincadeira, que não era esposa de ninguém, afinal, ninguém tinha me pedido em casamento. Era quase um combinado silencioso entre nós: um dia aconteceria. E para esse dia eu dizia que o cartório já seria suficiente. Ele dizia que eu ficaria linda de noiva. Aos poucos, fui mudando de ideia e nossas visões de uma comemoração de casamento foram se alinhando.
O pedido veio no fim de semana que antecedia nossos quatro anos juntos . Ele me contou que teríamos uma reserva de jantar para aquela noite e obviamente a gente se atrasou para a reserva o que me deixou preocupada, mas eu mal sabia que tudo estava programado. Ele me levou para jantar em um restaurante italiano que eu queria conhecer havia tempo, o Inês. A noite parecia comum, leve, pedimos uma entrada e uma pizza, sem qualquer indício de surpresa. Nem mesmo o vinho mais caro do que o habitual foi suficiente para me fazer suspeitar por muito tempo. Na hora da sobremesa, sob o cardápio, havia um antigo livro de anatomia aberto na página do coração. Ao lado, uma pergunta simples: “Aceita se casar comigo?” E, guardado ali, o anel.
Eu disse sim. Entre aplausos espontâneos e lágrimas que misturavam surpresa e certeza, entendemos que aquele momento era menos sobre a pergunta e mais sobre tudo o que já vínhamos construindo. Obviamente passamos mais algum tempo conversando sobre tudo aquilo, todos os planos secretos e descobri que algumas pessoas, além dele, me engaram direitinho e por semanas. Um ajudou com a escolha e o contrabando do anel, outra cedeu o livro do pedido e escreveu a pergunta, outro sugeriu o lugar e outra guardou a caixinha que acabou nem sendo usada. Pessoas essas que, em sua maioria estão nesse cortejo merecidamente.
Nosso casamento acontecerá exatamente no mesmo dia em que tudo começou. Não por acaso, mas como símbolo de uma história que honra o próprio início. Existe uma frase que sempre esteve comigo: “As melhores coisas acontecem quando você menos espera.” Hoje, ela também é nossa. Porque foi assim que começou e é assim que seguimos.